A Pilar fez um relato encantador e muito detalhado sobre o seu casamento com Erik no jardim da casa onde cresceu e foi criada. Já deu pra imaginar como foi emocionante para a noiva poder realizar o seu sonho em uma casa que tinha tanta história e significado

E foi assim, cheio de pequenas emoções e com muita história para contar, que aconteceu o casamento no campo de Pilar e Erik. A noiva deixou claro o quanto que seus laços familiares são importantes e, para alguém que por 20 anos sonhava com o casamento, como foi a realização de todos os detalhes que sempre sonhou. Para isso, contou com profissionais supercapacitados e competentes para lidar com qualquer imprevisto que tenha acontecido durante o processo

Pilar escolheu Daniel Cruz para a decoração, porque ele já havia decorado a festa de 15 anos e o casamento da irmã, anos antes. Roberto Cohen, que era responsável pela maioria das festas na família do noivo, foi escolhido como cerimonial para orquestrar todas as escolhas deste dia. 

Com dicas muito úteis e valiosas para as futuras noivas, a Pilar contou tudo sobre este processo incrível que envolve o casamento

 

Os Casamentos Reais publicados no CaseMe são escritos diretamente pelas noivas ou noivos. Nossa proposta é uma troca real de experiências, sejam boas ou ruins, que ajudem outras noivas que ainda estão no processo, com foco e inspiração!

 

Noivos: Pilar Strunck e Erik Lassner

Local: Residência – Pedro do Rio – Rio de Janeiro

Data: 18 de agosto de 2018

 

◊ ANTES DO CASAMENTO

 

 

História do casal:

Erik e eu nos conhecemos em 16 de novembro de 2013, em uma festa na Hípica no Rio de Janeiro. Nosso encontro não foi nada casual; nossos amigos já vinham tentando nos apresentar há quase um ano, desde que ele voltara de uma temporada de 6 anos nos E.U.A., onde fez faculdade e trabalhou

A principio, achávamos que éramos almas gêmeas, mas com o tempo e o desenrolar da relação, eu parei de acreditar nesse conceito. O Erik é mais calmo, introspectivo, discreto, e eu sou super espontânea, extrovertida e agitada. Ele é da noite, eu, da manhã. Ele é saudável e eu, vidrada num junk food. Ele só assiste jornal e futebol e eu amo um Discovery H&H e séries.

Mas independentemente das diferenças, aprendemos a respeitar os limites um do outro e a nos aceitar, acolhendo um ao outro quando necessário. E, sobretudo, soubemos manter nossos princípios e valores que, a despeito das personalidades muito distintas, nos mantém unidos sob os mesmos fundamentos.

 

O pedido de casamento:

Eu sempre amei casamentos e, desde criança, já sonhava em como seria o meu. Como costumava dizer: eu já tinha tudo pronto, “só faltava o noivo”! rsrs 

E ele se tornou meu noivo em outubro de 2017, em um pedido no lugar que mais amamos: na praia. Acredito que, nos dias de hoje, um pedido de casamento 100% surpresa é algo inimaginável! Só demonstraria em quão discrepantes páginas está o casal… Nós já vínhamos conversando sobre formalizar nossa relação. Já morávamos
juntos há dois anos e tínhamos adotado nosso filhote: Ziggy – um vira-latinha maravilhoso, que nos fez uma família.

De qualquer forma, o Erik fez questão de me surpreender escolhendo e mandando fazer o meu anel, falando secretamente com meus pais antes e planejando em detalhes como seria o pedido. Me acordou de madrugada num domingo nublado para fazer uma “aula de surfe”. Na praia, ainda deserta, ele se ajoelhou e disse coisas lindas, que eu só fui assimilar muito depois.

Nossas famílias adoram comemorações então, para celebrarmos o noivado, fizemos um pequeno jantar despretensioso e meio que no improviso na casa dos meus pais e, no aniversário da minha sogra, em janeiro, juntamos o noivado e a gravidez da minha cunhada em uma só festa!

 

◊ O CASAMENTO

 

 

Os preparativos:

Antes mesmo do pedido oficial, quando ainda estávamos debatendo nossas opções em termos do tipo de festa que queríamos, quantidade de pessoas, etc, teve início o processo mais complexo e desafiador que já enfrentei na vida: estruturar um casamento

Sinceramente acredito que, se tivéssemos escolhido nos casar em uma casa de festas ou num hotel, com tudo já montado e preparado, talvez tivéssemos tido menos perrengues. Mas como optamos por casar em casa – como sempre quis – precisamos montar do zero toda a logística necessária para um evento desse porte. 

E, por incrível que pareça, a dificuldade maior não veio da organização do evento em si, mas sim da conciliação de tantas vontades, valores e sonhos que são envolvidos nela.

A começar, os meus. Alguém que sonha por 20 anos com um casamento, precisa saber ter muito jogo de cintura para lidar com frustrações e incompatibilidades. Eu precisei aprender a ser mais flexível durante o processo, cedendo aos anseios dos meus sogros e do meu noivo para amenizar situações de tensão

O primeiro ponto foi criar o lugar: a família do meu noivo só havia dado festas em casas estruturadas para isso. No máximo escolhiam entre algumas opções de um mesmo Buffet, selecionavam um DJ e opinavam sobre as cores da decoração. Casar em casa significa construir piso, toldo, banheiros para os convidados (com fossas), cozinha (com fechamento, caixa de gordura, iluminação), banheiros para o staff, iluminação, geradores, valet, estacionamento, segurança, limpeza e assim vai. É MUITA coisa! 

Como eu sempre amei casamentos, já acompanhava sites especializados, e quando via alguma foto que gostava, ou se ia a alguma festa e me identificava com algo, já colocava na “pastinha” virtual de referências. E, assim, já sabia exatamente quem queria ter para fotografia, filmagem, decoração… aliás, esses foram os primeiros profissionais que contatei, e olha que não tínhamos nem escolhido a data ainda! 

A primeira coisa que aprendi durante a organização do casamento foi que precisamos reservar os profissionais que só podem fazer uma festa por dia, como DJ, fotógrafos, filmadores, maquiadores, etc. (obviamente, se você vai casar em uma casa de festas, e se pretende conciliar com uma igreja, o primeiro passo seria checar as possíveis datas disponíveis destes locais).

 

 

Cerimonial, decoração, vestido, bar, todos esses podem fazer inúmeros eventos em um só dia, então a data em si não precisa ser reservada com tanta antecedência. Mas os primeiros não. Se eles não estiverem disponíveis no seu dia, já era! E, pra mim, foto e filme eram essenciais, pois no final das contas, é o que fica para lembrar desse dia tão especial e que passa tão rápido

Entrei em contato com a Ana Junqueira, com a PAR Filmes e com a Andréa Alencar cerca de 9 meses antes do evento. E eles já estavam ocupados em alguns finais de semana de junho/julho/agosto. Ah, detalhe: como sempre sonhei em casar nos jardins da minha casa, onde cresci, ao ar livre, na região serrana do Rio, sabia que só poderia “arriscar” os meses de estiagem, quando o índice de chuvas é mais baixo e as temperaturas mais amenas. Isso limitava ainda mais minhas possibilidades de datas. 

E, mais: na dúvida quanto à data, recorri à medidas mais extremas: fiz a numerologia de cada uma das nossas possibilidades, além de olhar o calendário lunar para saber qual dia era mais favorável para a relação! Hahahha loucuras à parte, cheguei ao dia 18.08.2018, que coincidentemente é um número bastante cabalístico para a religião judaica – seguida pelo meu noivo

  • DICA: fazer a numerologia da data é facílimo! Basta somar todos os números chegando a apenas um numeral. E na internet você tem o significado de cada um. Quanto à lua, é sempre bom casar na fase crescente ou cheia!

Isso é importante: infelizmente, TUDO que é relativo a casamentos no Brasil é absurdamente mais caro. Virou um mercado rico e exigente, onde poucos se indicam e mantém aquele núcleo rígido de fornecedores. É essencial, portanto, pesquisar MUUUITO e negociar MUUUITO também! Pergunte a amigos que já se casaram quanto eles pagaram em cada coisa; peça descontos, compare opções… se eu não tivesse feito isso não teria conseguido me manter dentro do meu budget e o stress de organização do casamento teria sido ainda maior!

Além disso, essa minha pró-atividade durante a fase de negociações me aproximou dos fornecedores. Conheci quase todos pessoalmente. Conversávamos muito, passei a entender o porquê de determinadas cobranças, o que custava mais caro e como e quando dava para baratear determinadas coisas. No fim das contas, senti um
envolvimento maior deles no nosso casamento também. Era como se, para eles, tivesse se tornado “pessoal”.

Outro ponto importante é correr atrás de alternativas menos “badaladas”. Se você for pedir indicação aos tais membros da corte casamenteira carioca, eles só irão indicar a si mesmos. É como se houvesse um cartel, inclusive em relação aos preços exorbitantes que são cobrados. Mas existem ótimas opções e muito mais em conta por aí! PESQUISE!

Bom, selecionados os principais fornecedores como: décor, cerimonial, DJ, foto, filme, make, toldo, banheiros e buffet, fizemos então nossa primeira reunião in loco. Terror. Uma vez na casa, percebemos as inúmeras necessidades adicionais que haviam nos passado despercebidas antes, o que fez com que os orçamentos triplicassem!

Só com o valor do toldo o casamento se tornaria inviável. Foi então que o Luiz, da Seriflex, sentou comigo e foi negociando ponto a ponto do orçamento, chegando a um valor que me permitia, com algumas concessões, realizar o casamento lá em casa. A Bebel Baetas do Buffet Alecrim também foi muito acessível, embarcando conosco nessa empreitada de realizar o casamento dentro das nossas limitações, mas sem sacrificar o conforto dos nossos convidados.

 

O vestido de noiva:

Eu sempre amei as criações de estilistas como Zuhair Murad e Elie Saab. Entrei em contato com revendedores internacionais dessas marcas, recebi orçamentos. Minha sogra é americana e queria muito que eu comprasse um vestido pronto com ela em Miami. Mas todos os vestidos que eu amava sempre tinham algum detalhe que não era exatamente o que eu idealizava… algum formato de saia que não ficaria bom no meu corpo, ou um decote fundo demais, as vezes uma renda cheia de brilhos que me incomodava… entendi que mesmo comprando lá fora, acabaria tendo que reajustar muito aqui no Brasil e essa gambiarra poderia me sair muito mais cara

Foi então que decidi seguir meu coração e confiar na empatia.

Conheci a Stella Fischer quando ela fez o vestido de casamento da minha irmã, em 2015. Nossa conexão foi instantânea! Quando entrei no atelier dela dizendo que era a minha vez, ela vibrou como se fosse com ela mesma! 

Mandei todas as minhas referências pra ela, sentamos juntas, expliquei o que amava em cada vestido e o que mudaria. Escolhemos a renda – uma francesa com tulipas em alto relevo que ela havia usado uma única vez, no casamento da própria filha

Como estava me mudando para o interior de São Paulo durante a organização do casamento, não pude fazer muitas provas. Foram apenas 3. Sempre digo para as minhas amigas que não tem costume de fazer roupa em costureiras que é preciso muita imaginação e paciência até o produto final, e resiliência para entender que nunca será exatamente como você imaginou.

Mas a Stellinha foi incrível porque não só seguiu à risca as minhas demandas, como enfrentou as disputas de opiniões e gostos com elegância e delicadeza, brigando firme para realizar o MEU sonho. 

Outra coisa que aprendi na marra durante esse processo foi sempre ter ao seu lado pessoas que te colocam pra cima! Não é querer elogios pura e simplesmente. Mas, eu pelo menos, ficava mais fragilizada e insegura em alguns momentos como no teste de cabelo e maquiagem e nas provas do vestido. Se você não estiver com alguém que te passe uma certa confiança, acaba sucumbindo as (inúmeras) pressões e pode não se sentir bem no grande dia.

 

Acessórios:

Bom, a escolha dos sapatos e demais acessórios foi relativamente mais rápida e objetiva: minha sogra escolheu e comprou a grinalda no exterior, escolhi apenas um brinco clássico para não “brigar” com a renda do vestido, e o sapato acabou sendo uma sorte: como nos casamos num jardim, no inverno, precisava de um scarpin fechado, mas com salto bloco para não enterrar na grama durante a caminhada mais importante da minha vida!

Acabei encontrando pela internet um da Corello por R$100,00! Que além de super confortável, ainda tinha uma tira que prendia o peito do pé, me dando maior segurança. Conseguir ficar com ele grande parte da festa, foi ótimo!

 

Roupa do noivo:

A roupa do meu noivo foi um capítulo à parte! O Erik é muito branquinho e, também por nosso casamento estar marcado para o dia, queríamos um ternos mais azul Royal. Ele não relegou essa escolha para mim e, muito independentemente, decidiu ir sozinho com o pai a um alfaiate no Rio onde escolheu a cor e mandou fazer o terno sob medida a apenas dois meses do casamento.

Ocorre que o Erik nunca tinha mandado fazer uma roupa na vida e não tem muita noção de cor. Pra piorar, já estávamos morando no interior de São Paulo e nossas idas ao Rio eram muito corridas, razão pela qual, ele só viria a experimentar o terno pela primeira vez com ele já pronto, um mês antes da data. 

Por obvio, quando ele viu o resultado detestou a cor e entrou em desespero! Fiquei morta de pena da frustração dele apesar de querer matá-lo pela falta de organização. A verdade é que todos prestam muita atenção no vestido da noiva, mas o noivo também é parte essencial de qualquer casamento e precisa estar se sentindo bem e confortável também!

Por isso, fomos correndo à Ricardo Almeida onde já entramos perguntando se era possível entregar um terno em 3 semanas. Sinceramente, o atendimento da Ricardo Almeida nos desapontou muito. Os vendedores não sabiam dizer em quanto tempo um terno ficava pronto, se era possível fazer na cor que ele queria, se existiam alternativas similares etc. Apesar de ter nos salvado na última hora, não recomendo.

 

 
A semana do casamento: 

Bom, finalmente, chegou a tão aguardada semana do casamento!

Eu sempre fui muito ansiosa e estava esperando ficar uma pilha de nervos, mas não sei o que aconteceu comigo! Estava absolutamente zen! Dormia bem, não ligava pros perrengues que estavam pipocando e até consegui manter a dieta! O Erik, por sua vez, que é normalmente super tranqüilo, despirocou. Decidiu “organizar” o casamento uma semana antes, buscando atrações 7 dias antes do evento, querendo mudar músicas e roupas dos padrinhos.. hahaha acho que vê-lo assim, de alguma forma, me acalmou também porque não me senti alienada ou sozinha; eu estava real e oficialmente, tranqüila

9 dias antes, minha irmã que mora em Londres chegou no Brasil, então sai de São Paulo para o Rio para aproveitar mais com ela. A semana precedente também foi marcada por uma sucessão de eventos, que tivemos que reunir em cerca de 4 dias pelo fato da maior parte dos nossos padrinhos e familiares não morarem no Rio/Brasil e terem vindo apenas para o casamento

Na quarta tive meu chá de lingerie, na quinta o cocktail de padrinhos e na sexta um almoço para as famílias. Preferivelmente não aconselho marcar tantos eventos próximos assim. Eu, pelo menos, não estou acostumada a sair tantas vezes durante a semana e fiquei cansada. Mas não tivemos escolha. E, mesmo cansada, teria feito tudo de novo!

No dia do casamento são tantas pessoas, tantas emoções e tantas “regras”, que você acaba não conseguindo aproveitar cada pessoa que veio de longe para celebrar com vocês. Eu mal passei tempo com minha família e alguns amigos! Por isso achei essencial ter estado com eles nesses eventos “pré-wedding”

Nosso cocktail de padrinhos foi no Riba da praia do Leblon. No entardecer, num clima bem carioca com boas comidas e bebidas. Foi gostoso e especial para nossos escolhidos.

 

O evento de famílias foi no Parador Santarém. Um almoço ao entardecer onde pudemos realmente conversar e matar as saudades das pessoas que quase nunca vemos e que vieram de tão longe para celebrar conosco. Nesses dois dias, contratei uma fotógrafa chamada Ju Kneipp, que foi um amor! Ela tem um trabalho de características similares às da Ana Junqueira e registrou momentos muito bonitos em cenários e com pessoas diferentes.

Esse almoço acabou umas 20hs e fui dormir cedo na sexta. A nossa casa já estava um caos: cerca de 60 pessoas trabalhando no toldo e na decoração, testando iluminação e banheiros. É preciso ter classe e paciência… você se sente um pouco invadido na sua intimidade e violado em termos de história. Na nossa casa, que tem apenas 3 quartos, ficamos eu, meus pais, e minha irmã com o marido. O Erik e a família já ficaram dormindo no Parador Santarém, que fechamos para eles e onde passamos a noite de núpcias.

 

Making of

Na manhã do dia 18 de agosto, acordei com o Ziggy, nosso cachorrinho, pedindo para sair. Soltei ele no jardim e fui praticar yoga (sim, pois é, tive essa cabeça fria). A casa já estava em polvorosa: doces e buffet chegando, fotógrafos, filmadores e maquiadora também.

Enquanto a maquiadora ia começando a base da minha mãe e irmã, fui dar banho no Ziggy e tomar o meu. Me toquei, nesse momento, de que não havia levado calcinha para o casamento! A sorte é que estava em casa então peguei uma antiga que tinha deixado lá.

Isso não teria acontecido se eu tivesse podido ter arrumado minha mala para o casório com maior antecedência; mas a infinidade de eventos da semana não permitiu. 

Antes de começar a me arrumar, conversei um pouco com a equipe da Ana Junqueira e da PAR, que foram super gentis! É MUITO importante ter pessoas com boa energia ao seu redor nesse momento. Você vai estar ansiosa e talvez insegura, e pessoas muito pesadas ou aceleradas acabam influenciando seus sentimentos. 

Eu já tinha feito reuniões com as duas equipes na semana anterior e já tínhamos acertado mais ou menos o que eu imaginava. Disse que não queria ficar horas fotografando (o Erik morre de vergonha e nós dois queríamos aproveitar ao máximo a festa!) e nem queria aquelas fotos formais com cada casal de padrinhos ou com as famílias. O que mais gosto no trabalho da Ana e da PAR é a pegada mais artística e espontânea que ambos tem. Eles usam um jogo de luzes e efeitos que ficam absolutamente incríveis! 

Enquanto eu me arrumava, já fazendo o making of, ainda precisei lidar com duas “crises”. A primeira, do carrinho de golf, que não tinha sido reservado e que talvez não fôssemos conseguir (o carrinho era necessário para transportar as pessoas mais idosas ou com dificuldade de locomoção do local da cerimônia para a festa). A segunda se deu em razão do local do DJ, que precisava ficar de frente para a pista mas acabaria exterminando um dos lounges.

Sinceramente, acho que eu estava meio anestesiada nesses momentos. Nem me irritei. Não havia mais nada que eu pudesse fazer a essa altura. Minha única preocupação era com o tempo: havia chovido muito a semana inteira e a previsão era de chuva pro dia. Então, confiei nas minhas escolhas de profissionais, e deixei eles lidarem com os dramas pendentes. E tudo se resolveu super bem! Até meu ovo no telhado pra Santa Clara deu certo! 

Às cerca de 14hs, a primeira van com o Erik e alguns convidados chegou. Estava tirando fotos pela casa aproveitando a luz e os únicos momentos que teria para fazer isso já que, depois, precisei entrar e me esconder nos quartos para não ser vista.

 

Nesse momento, comecei a ficar um pouco nervosa. A Stellinha (Fischer, que fez o vestido) foi ate lá para me vestir e ficou ao meu lado o tempo todo. Meus pais e minha irmã tiveram que ficar recebendo as pessoas na entrada então não puderam me fazer companhia.

Em um dado momento, minha irmã e duas primas/madrinhas entraram no quarto para me ver e eu não agüentei! Choramos juntas de emoção e gratidão pela realização daquele sonho do qual elas participaram desde que éramos muito pequenas. Tentei me recompor; estava em êxtase; apenas MUITO, MUITO feliz e grata por tudo!

 
Cerimônia:

Pedi que o casamento, que estava marcado para as 15hs, não atrasasse mais do que 30 min. Primeiro, para não perder a luz para as fotos; depois porque eu já estava presa naquele quarto há uma hora e meia e já não via a hora de casar de uma vez e acabar logo com toda essa expectativa.

O Roberto acatou minha vontade gentilmente e, mesmo diante do atraso de uma das minhas madrinhas, deu início à cerimônia. Foi muito emocionante poder descer abraçada ao meu pai por aquele caminho onde brinquei minha vida inteira! Quando cruzei a passarela para chegar a chuppah, só enxergava o Erik. Foi incrível; parecia que não existia mais ninguém ao nosso redor. Meu pai retirou o véu que cobria meu rosto, me beijou e me “entregou” ao Erik, dando inicio à cerimônia

A cerimônia foi um capítulo à parte também. O Erik é judeu, e eu fui criada na religião católica. Nenhum de nós é muito religioso e tampouco iríamos nos converter um à religião do outro, portanto, antes de casarmos, concordamos em fazer uma cerimônia nossa, especial, sem representantes de qualquer credo

Convidamos nossos primos e melhores amigos, Gabi e Michel, para serem nossos celebrantes; e eles toparam! Ao longo dos meses que precederam o casamento, Gabi e eu já havíamos estruturado a ordem da cerimônia de modo a torná-la mais dinâmica e o menos enfadonha possível para os convidados.

Eu também havia lido diversos livros sobre relacionamento e amor para redigir meus votos e estava realmente embevecida desse tema. Gabi começou a celebração com um discurso lindo, que nos levou às lágrimas. Em seguida, o Michel também discursou brevemente, nos guiando por algumas tradições judaicas de casamento que
customizamos para a ocasião.

 

Fizemos nossos votos que, apesar das nossas inúmeras diferenças, estavam absolutamente coordenados, e a Gabi finalizou a cerimônia com a troca de alianças e a quebra do copo. Foi tudo muito pessoal e profundo. Nesse momento, me dei conta das pessoas que estavam a nossa volta e me deparei com rostos que sorriam e choravam ao mesmo tempo. Foi muito bonito! Acho que essa energia sincera da cerimônia ditou o tom da festa. Muitos vieram nos parabenizar pela inovação e dizer o quanto se identificaram com nossos votos e idéias sobre o amor. Ouvi de várias pessoas que gostariam de se casar novamente, nesses termos, e outras tantas tentaram contratar a Gabi como celebrante! Rsrsrs 

No fim da cerimônia tiramos breves fotos com padrinhos e familiares mais próximos e algumas sozinhos. Jantamos, retoquei minha maquiagem, retirei o véu e fiz um rabo de cavalo para poder curtir mais a festa. Nesse momento, dois aspectos foram um pouco negativos, e chamo, aqui, a atenção, para que possam ser evitados de alguma forma por outras noivas

1. A nossa casa é bem pequena e todas as paredes são de vidro. Por isso, enquanto jantávamos e nos retocávamos, alguns convidados saíram tentando entrar para conhecer a casa. Foi muito inconveniente e desconfortável ter que expulsar pessoas que estavam invadindo um espaço de uso íntimo da família; acho que não entenderam que aquilo não era um museu ou um espaço público, mas sim a
NOSSA casa;
2. Durante as fotos dos padrinhos fomos à um lugar isolado dos jardins e não fomos incomodados. Mas nas fotos com os demais familiares, na mesa de doces, pessoas passavam e pediam para tirar fotos conosco. Isso criou um certo tumulto porque não queríamos perder tempo tirando fotos ali, mas era difícil pedir que algumas pessoas simplesmente deixassem um local aberto à festa;
3. Outro ponto importante: usualmente, as noivas ficam tão nervosas que acabam se esquecendo de comer no grande dia e passam mal. No meu caso foi o contrário: eu comi bem até demais! Estava há um ano sem tomar coca-cola e tomei várias, além de ter comido massas, carnes, salgadinhos. Durante a festa,me senti até enjoada! E olha que não havia bebido nada de álcool. Minha dica é: se você, como eu, está fazendo uma dieta mais regrada para o casamento, tente mantê-la também no dia. Chute o balde no dia seguinte! Não tem problema.. mas no dia em si, pode  pode atrapalhar um pouco o seu aproveitamento da noite, como aconteceu comigo.

 

Música da cerimônia:

Para a cerimônia contratamos um quarteto de violino, teclado, sax e violoncelo da Violive, que performou musicas atuais desde o inicio da recepção dos convidados até o final da cerimônia. Foi muito bonito e especial.

 

Padrinhos e madrinhas:

Ao todo, tínhamos 12 casais de padrinhos. Tentamos colocar o menor número possível porque achamos que, quanto mais pessoas são chamadas, menos importantes ficam. 

Para escolhê-los, usamos critérios um pouco distintos: o Erik selecionou mais amigos de infância, enquanto eu escolhi uma amiga que representasse cada “grupo” ou fase da minha vida. Mas nós dois concordamos em um critério: eleger pessoas que quiséssemos manter para sempre ao nosso lado, ou seja, pensamos mais no futuro do que necessariamente nas nossas historias do passado.

Sugerimos que as madrinhas usassem vestidos em tons de rosa, mas não exigi nada porque sei o quão caro casamentos são, especialmente para madrinhas. Ter que comprar um vestido, fazer cabelo e maquiagem e ainda sair do Rio para estar na festa, não é mole. Todas entenderam e tentaram, dentro de suas possibilidades, seguir a sugestão. A paleta de cores acabou ficando bastante harmônica e sem sacrifícios

O casamento é, aliás, um ótimo momento para você fazer uma revisão dos seus relacionamentos. Dramas à parte, você acaba se decepcionando com algumas pessoas de quem espera demais, e outras te surpreendem sendo muito parceiras e prestativas. Sentimentos como inveja ou alegria pela sua felicidade são tangíveis. Minha dica é valorizar essa percepção e realmente fazer essa “limpa” geral na sua vida.

 

 

Local da festa:

Bom, após todas as fotos e preparações, ingressamos finalmente na nossa tão esperada festa! Comprei pela internet cerca de 60 bastões de sparkles que fizeram um efeito lindo! Super indico! – Aliás, além dos sparkles que foram baratérrimos (uns R$30,00), as havaianas e as forminhas dos doces eu também encontrei pesquisando alternativas online. Como disse antes, se formos seguir apenas as opções dadas pela “patota” de casamentos, o custo do casamento ganha outras proporções.

Minha primeira impressão foi de estar tudo lindo! Colorido, vivo e alegre como sempre sonhei! Dançamos nossa primeira musica, depois dancei com meu pai e meu sogro, e em seguida abrimos a pista para os demais convidados.

Após algumas músicas, tentei dar uma volta pelo salão para falar com algumas pessoas, ver quem estava ali… mal consegui me locomover! O salão que montamos estava lotado! Pessoas vinham de todos os lados me cumprimentar, mas eu estava tão sufocada que não conseguia falar direito com nenhuma. Esse foi um ponto negativo. Aliás, se eu tivesse que elencar um único senão pro casamento inteiro, seria esse.

A questão da lista é a pior parte do processo de organização do casamento. E, de fato, não conseguimos superá-la. Meus pedidos para que meu noivo e sua família reduzissem o número de convidados não foram suficientes. E, mais: pessoas que não haviam confirmado presença apareceram no dia e houve casos de casais que acharam por bem carregar os filhos com namorados, periquitos e papagaios para o evento também.

Com isso, acabei sem nem mesmo cumprimentar ao menos 100 pessoas durante a festa. Mas ok, no final das contas o saldo foi mais que positivo! Realizei o sonho da minha vida, com o homem que amo, na casa onde cresci e onde criei tantas memórias. Essa vai ser mais uma. E que uma! E ainda pude dividir a alegria desse momento e a sinceridade da nossa relação com todos os que estiveram presentes! Inesquecível..

 

Decoração:

Com a data sedimentada, procurei o Daniel Cruz – decorador por quem sou apaixonada, que fez os 15 anos e o casamento da minha irmã. A melhor qualidade do Daniel, independentemente de questões de gosto, é que ele sabe trabalhar dentro de um orçamento e faz o que VOCÊ pedir, mesmo que ele não goste

Decoração é um aspecto complicado para aqueles que não estão acostumados a dar festas: é o maior gasto de um casamento, o que nem sempre é muito compreensível. Mas inclui os móveis, flores, pista de dança, bar, mesas de Buffet, velas, iluminação, indo até os sousplats e jogos americanos! Para os meus pais, que já conheciam o Daniel, os valores não foram surpreendentes; mas os meus sogros só foram aceitar o orçamento depois de verem o resultado final.

A escolha em si da decoração foi fácil: mostrei pro Dani todas as referências da “pastinha” com as quais (graças a Deus) minha sogra concordou, confiei nele e deleguei algumas escolhas menos centrais, também para não me sobrecarregar com besteiras; e seguimos para a reunião com o Roberto Cohencerimonialista que fazia todas as festas da família do meu noivo.  

Antes da nossa reunião, eu já havia entrado em contato com 6 fornecedores de toldo, pedindo estimativas de orçamentos com base na metragem que calculávamos para o evento. Isso era essencial porque o casamento da minha irmã, que acontecera três anos antes, não pôde ser na nossa casa em razão do que foi cobrado no toldo

Com os orçamentos em mãos, o Roberto começou o “baile”, enviando opções de fornecedores que eu nem mesmo sabia que precisaria, como geradores, valet, logística etc. Saímos disparando pedidos de orçamento e negociando com cada fornecedor.

 

Bolos e doces:

Os doces ficaram por conta dos seguintes fornecedores: Poppins Doceria – brigadeiros; Beth Medeiros – bem casados e brownies; Barriga de Freira – doces portugueses e Maria Lúcia – bombons de frutas e castanhas. Não sobrou nada! Escolhi cada doce com base no paladar mais popular mesmo. Detesto quando vou a casamentos e mordo um brigadeiro cheio de licor esquisito! Pra mim, brigadeiro bom é o tradicional… também amo o de churros, palha italiana, ninho com nutella, oreo etc. Tinham todos esses e ouvi muita gente comentando. Se o cerimonial não tivesse guardado para a gente, eu não teria comido nenhum! Também me recusei a pagar R$7,00 por doce.. achei um desaforo e, graças a isso, acabei encontrando essas alternativas que foram maravilhosas!

 

 

Música da festa:

Nosso DJ foi o Andre Paulo. Maravilhoso! Fizemos uma reunião prévia com ele e ele seguiu à risca nossos pedidos. É super simpático e acessível e: não tem hora para acabar

Na ultima semana antes do casamento, o Erik decidiu que queria contratar uma atração de qualquer jeito! Já havíamos conversado sobre isso no inicio dos preparativos e tínhamos rechaçado a idéia por conta de orçamento. Bom, com o auxilio do Roberto, ele encontrou o MC Danny, que além de cantar funks antigos, também toca saxofone com músicas atuais. A performance foi muito boa e deu vida pra festa. Minha dica é chamar alguém que interaja com os convidados, em um mesmo nível; a segregação em um palco, além de visualmente feio na decoração, e de eliminar um espaço útil durante a maior parte do casamento, também não anima tanto quanto ter alguém ali, do seu lado, dançando com você.

 

 
Convidados:

Estava em curso o maior desespero de qualquer casamento: a LISTA

Nos meus lindos sonhos, imaginava um evento para cerca de 150 pessoas. Sei que muitos conhecidos, amigos e até familiares acabariam de fora nesse número, mas ainda acho que seja uma quantidade perfeita pra você conseguir dar atenção e efetivamente estar com cada convidado seu durante o evento.

Mas meu noivo logo acabou com minha expectativa. Só de convidados da família dele eram quase 150 pessoas. Definitivamente, esse foi o pior aspecto de toda a organização. Você não consegue se alegrar com uma confirmação de presença. Já fica tenso pensando se a comida vai dar, ou se a bebida vai ser suficiente; se não vão ter filas homéricas no banheiro…

Enfim, transpassado o caos, aceitei que seria impossível dar uma festa para menos de 300 pessoas e recalculei tudo para esse número. A partir daí, teve início a parte mais gostosa: escolher vestidos e fazer degustações!

 

 Ferramentas:

Em termos de ferramentas de auxilio na organização do casamento, usamos o iCasei. Não achei fácil montar o site. Na verdade, foi extremamente cansativo e demorado! A plataforma travava as vezes e não tinham tantas opções de templates. Mas no final das contas, ter o site é essencial. É por onde as pessoas passam a conhecer melhor o casal, entendem onde vai ser o casamento, recebem as dicas em termos de roupas, temperatura, onde ficar.. também é por onde recebemos a maior parte dos presentes!

Hoje em dia, receber presentes em casa é muito mais complexo, podendo até ser um perrengue! Além do mais, Erik e eu já moramos juntos há anos, então não precisávamos de nada essencial para a casa. Não sei dizer se o iCasei é a melhor opção; mas quando fiz nosso site, só tinha ouvido falar deles e do Zank You, que é mais usado pelo pessoal lá de fora.

 

◊ APÓS O CASAMENTO

 

 

Lua-de-mel:

Nossa lua-de-mel será na Indonésia. Pessoalmente, das coisas que mais amo fazer é planejar viagens! Essa eu comecei a pesquisar em novembro e fechei tudo em fevereiro.  Costumo utilizar agências internacionais, que tem mais know how nesses locais mais distantes e são MUITO mais baratas! Por conta da antecedência, também as passagens saem mais em conta. Para quem não conhece nenhuma agência internacional, indico um
site que se chama Zicasso. Nele, você indica para onde quer ir, quanto pode gastar e quantos dias quer ficar, e eles realizam uma espécie de leilão entre agências de primeira linha do mundo inteiro, que farão propostas de viagens para você, dentro das suas possibilidades. O site em si e as agências são confiáveis e os serviços, de luxo, mesmo a preços mais acessíveis.

Minha última dica é: não emende o casamento na lua-de-mel. Se possível, espere uns 3 dias para viajar. Minha irmã havia me falado disso e eu relutei muito em concordar porque achava que iria ficar meio “deprê” depois de tudo, mas foi a melhor coisa que fiz!

O casamento é uma experiência única e especial, mas extremamente exauriente também. Não apenas física, como emocionalmente. É essencial ter uns dias para colocar seu corpo nos eixos, se reequilibrar para poder curtir ao máximo a lua-de-mel! E, mais: hoje em dia, com todas as redes sociais e fotos instantâneas, é muito bom estar aqui para receber as mensagens das pessoas, ouvir o feedback dos convidados, ver os presentes
que ganhou, olhar cada foto e reviver os momentos que passaram tão rápido! 

Como para chegar na Indonésia leva-se no mínimo, 24hs, se eu esperasse esses 3 dias perderia quase uma semana de trabalho/rotina. Então decidimos adiar por mais tempo, e só vamos viajar na sexta de madrugada. Assim ganhamos mais um fim de semana lá!

 

Dicas importantes:

Acho que é isso! Espero que nossa experiência possa servir de utilidades para outras noivas que estão passando por esse mesmo processo. Novamente: é estressante, é muito dinheiro, pesquise, corra atrás, não aceite o “dado”, mas persista! Porque no final das contas vale MUITO a pena!

 

Ficha técnica:

♦︎ Cerimonial: Roberto Cohen 

♦︎ Decoração: Daniel Cruz 

♦︎ Flores: A Roseira 

♦︎ Iluminação: Two Lights 

♦︎ Objetos decorativos: Eliane Salgado 

♦︎ Velas: Eliana Lipiani 

♦︎ Mobiliário: Ambiente Eventos

♦︎ Tapetes: Empório Spiro 

♦︎ Designer: Lindomar Rodrigues 

♦︎ Comunicação Visual: MVS Comunicação Visual

♦︎ Cenografia: Airton Andrade 

♦︎ Toldo: Seriflex

♦︎ Buffet: Alecrim

♦︎ Doces Portugueses: Barriga de Freira | Monica e Naná

♦︎ Doces: Poppins Doceria 

♦︎ Bem Casados: Beth Medeiros 

♦︎ Bem-casados: Elvira Bona

♦︎ Fotografia: Ana Junqueira 

♦︎ Filme: Par Filmes 

♦︎ Música da cerimônia: Violive Produção Musical

♦︎ Show: Danny 

♦︎ Open Bar: Help Bar

♦︎ DJ: Andre Paulo

♦︎ Vestido: Stella Fischer

♦︎ Beleza: Andrea Alencar 

♦︎ Convite: Eilá Nigri Design

♦︎ Vans: Itatrade

 

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