Cada pessoa carrega um significado diferente, de acordo com a forma como aprendeu em sua família. Ou seja, o dinheiro tem tantos significados quanto existem pessoas no mundo, e reflete a diversidade de crenças e valores que as família possuem.

Como lidar com a relação dinheiro x relação a dois? Entenda mais um pouquinho neste texto da Véspera.

O dinheiro na vida de cada um de nós tem diferentes expressões e propósitos: segurança, poder, liberdade, e por ai em diante.

Como não costumamos casar com familiares, o que acontece é o óbvio: ao juntar duas pessoas, junta-se também dois significados diferentes sobre o dinheiro, e como lidar com ele.

Muitas vezes, como é de se esperar, os pensamentos são contrários, e aparece um impasse. Um pensa, por exemplo que “dinheiro tem que ser usado para viajar, ter conforto e ser feliz”, já o outro acha que “dinheiro é segurança e deve ser guardado para emergências”. Ou até mesmo em situações mais práticas, como um achar que trabalha demais e merece gastar com prazeres (como jantar fora), e o outro pensar que isso é desnecessário, já que tem comida em casa.

O fato é que o que trazemos de aprendizado de nossas famílias tem um peso, mas não pode ser mais forte do que o casal. Para casar, é preciso conversar, e negociar. Devemos escolher diante das crenças que recebemos das gerações anteriores, quais queremos repetir, quais reagir e quais queremos transformar.

Esse esforço de filtrar o que quero herdar de nossas famílias deve ser feito individualmente, sempre, na nossa vida, e enquanto casal, na vida a dois. Isso porque além do que acreditamos e faz sentido para a gente, temos que inaugurar o que será hábito e crença do casal.

A grande ilusão acontece porque, quando casamos, gostamos de pensar que estamos inaugurando ali algo novo, como um carro zero quilômetro. Sim, é inegável que está sendo construído uma nova relação, mas o engano é achar que não há quilometragem anterior. Quando um homem e uma mulher se unem, eles não são pessoas sozinhas no mundo. Cada um deles carrega consigo uma família.

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É esta ilusão, junto com a cultura de alma gêmea, em que casais devem ser a cara metade um do outro, e portanto pensar igual, que leva dois namorados a tornarem-se marido e mulher, sem conversar o mínimo. Caem na ilusão de que, por tanto se conhecerem, algumas coisas nem precisam ser ditas…

E é pensando assim, que sofrem o primeiro susto quando casam: ele, vindo de uma família mais moderna, acha que os gastos devem ser divididos. Ela, de uma família mais tradicional, aprendeu que o homem é quem sustenta a casa. Mas a maneira de pensar de cada um era tão óbvia para si, que jamais se imaginou que alguém poderia pensar diferente (muito menos sua “alma gêmea”). É então na primeira conta que descobre-se esta diferença.

Não há mal nenhum em pensar diferente. A graça do mundo é justamente essa. É com a diferença que se constrói. O problema não é ser diferente, e sim não construir em cima disso.

A possibilidade de inaugurar um novo valor na relação que está sendo criada vem da capacidade de tomar consciência das crenças familiares, refletir sobre quais delas são funcionais e se quer levar adiante, e quais não são, e portanto deve ser deixado para trás. É da mistura desses parâmetros que será criado um código próprio para a nova família.

O que em geral acontece é que essas reflexões, por estarem associadas a dinheiro acabam sendo evitadas, para não “sujar” o amor. Por medo de, por exemplo, parecer interesseira, mesquinha ou deselegante, perguntando do regime matrimonial, não se fala no assunto, ou quem sabe fala, mas lá na frente em um momento de divórcio. Ou seja, dinheiro é tão tabú, que, para não “promiscuir” a relação, menciona-se apenas quando é pauta obrigatória.

Reconheço que dinheiro não é necessariamente um assunto romântico. Porém, menos romântico ainda é brigar desnecessariamente. Questões do dia a dia são menos glamorosas do que juras de amor, mas na prática, elas são frequentes.

 




É comum o casal “resolver” essa questão elegendo um dos dois para assumir a função do financeiro. Não há problema algum que apenas um tome a frente no sentido prático de efetuar pagamentos, estudar as aplicações, etc. Mas isso não quer dizer que o outro está entregando para que seu parceiro cumpra a função com autonomia. É importante que ambos estejam a par e se responsabilizem pelas decisões financeiras da vida a dois.

Uma relação sem uma organização financeira harmoniosa, em que o casal se une para criação de seu código próprio (baseado no que foi aprendido e negociado) é um casamento de pouca tranquilidade. E de crise, já basta o Brasil. Dentro de casa é importante preservar a estabilidade.

Comece o seu casamento com o pé direito, converse, ouça, entre em um senso comum e tenha uma relação saudável!

 

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