Casar, para a grande maioria, significa vestir branco, degustar doces, comprar e reformar apartamento, escolher igreja, comprar aliança, e abrir mão, metaforicamente, da bicicleta.

Muito tempo é dedicado à organização da celebração, e muito pouco à formação do casal, como uma nova entidade, que passará a ser um núcleo central da vida.

Claro que existirão dificuldades, mas é necessário avaliar e entender a situação como um todo, pois casar vai muito além de colocar alianças e juntar as escovas de dente.

Prefere-se acreditar que, se há uma boa dinâmica no namoro, não há motivos para que não se mantenha como tal. Nessa perspectiva, o casamento é visto como uma continuidade daquele relacionamento e pouco se fala da etapa que vai ser inaugurada, com os papéis assinados e alianças trocadas.

Contudo, o desafio dessa nova fase está em tornar-se um casal. E, para isso, é necessário construir a relação, negociando com o outro todas as “regras do jogo”. Ser um casal é um ato diário. Como muito bem disse uma amiga, “relação é ralação”.

Diferente do que costumamos pensar, quando casamos não estamos inaugurando uma nova unidade, livre de qualquer influência. Casamento não é um carro zero com cheiro de novo, bancos ainda plastificados, lataria sem nenhum arranhão. Ao contrário. O casamento traz com ele toda a quilometragem anterior, oriunda das experiências de vida de cada um, dos hábitos e valores familiares.

 

Exatamente em função disso que, logo nos primeiros meses da vida a dois, começam a surgir pequenos impasses do dia a dia. Influenciados pela ideia de almas gêmeas, acreditamos que o parceiro deve fazer eco às nossas aspirações e ideais. E, como isso não acontece e em pouco tempo as diferenças já aparecem, sentimos que não estamos em um bom caminho.

Essas oposições, no entanto, não significam uma crise, mas pontos de vista distintos de acordo com o que cada um viveu e aprendeu em suas famílias. É o que aqui nos referimos como a quilometragem anterior.

Um casal, diferente do que se supõe, não se constitui apenas por duas pessoas. São eles e mais as suas bagagens. Ninguém chega de mãos abanando. Na mala cada um leva tudo o que foi colhendo ao longo da vida: uma mãe, um filme, uma tia, uma professora, um avô, uma escola, um livro, uma religião, viagens, dores, aprendizados, histórias e tantos outros souvenires quanto esteve disposto a carregar.

Mas pra casar, precisamos colocar tudo isso em uma nova mala: a do casal. E para carregá-la sem ficar pesado para nenhuma das partes, é preciso fazer escolhas. Algumas coisas vão, outras ficam. É preciso priorizar e também deixar espaço para o que virá. É preciso abrir mão de antigos apegos em nome de construir uma nova mala, com um pouco da história de cada um, mas também com novas experiências que o casal quer inaugurar.

Casar torna-se então uma oportunidade para revisitarmos tudo o que andamos levando em nossas costas, e repensarmos, juntos, o que hoje ainda faz sentido e tem valor.

 

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